quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Capítulo XIV



Os guerreiros tabajaras, excitados com as copiosas libações do espumante cauim, se inflamam à voz de Irapuã que tantas vezes os guiou ao combate, quantas à vitória.

Aplaca o vinho a sede do corpo, mas acende outra sede maior na alma feroz. Rugem vingança contra o estrangeiro audaz que, afrontando suas armas, ofende o deus de seus pais, e o chefe da guerra, o primeiro varão tabajara.

Lá tripudiam de furor, e arremetem pelas sombras; a luz vermelha do ubiratã, que brilha ao longe, os guia à cabana de Araquém. De espaço em espaço erguem-se do chão os que primeiro vieram para vigiar o inimigo.

— O pajé está na floresta! murmuram eles.

— E o estrangeiro? pergunta Irapuã.

— Na cabana com Iracema.

O grande chefe lança terrível salto; já é chegado à porta da cabana, e com ele seus valentes guerreiros.

O vulto de Caubi enche o vão da porta; suas armas guardam diante dele o espaço de um bote do maracajá.

— Vis guerreiros são aqueles que atacam em bando como os caititus. O jaguar, senhor da floresta, e o anajê, senhor das nuvens, combatem só o inimigo.

— Morda o pó a boca torpe que levanta a voz contra o mais valente guerreiro dos guerreiros tabajaras.

Proferidas estas palavras, ergue o braço de Irapuã o rígido tacape, mas estaca no ar: as entranhas da terra outra vez rugem, como rugiram, quando Araquém acordou a voz tremenda de Tupã.

Levantam os guerreiros medonho alarido, e cercando seu chefe, o arrebatam ao funesto lugar e à cólera de Tupã, contra eles concitado.


Caubi estende-se de novo na soleira da porta; seus olhos adormecem; mas seu ouvido vela no sono.

A voz de Tupã emudeceu .

Iracema e o cristão, perdidos nas entranhas da terra, descem a gruta profunda. Súbito, uma voz que vinha reboando pela crasta, encheu seus ouvidos:

— O guerreiro do mar escuta a fala de seu irmão?

— É Poti, o amigo de teu hóspede, disse o cristão para a virgem.

Iracema estremeceu:

— Ele fala pela boca de Tupã.

Martim respondeu enfim ao pitiguara.

— As falas de Poti entram n’alma de seu irmão.

— Nenhum outro ouvido escuta?

— Os da virgem que duas vezes em um sol defendeu a vida de teu irmão!

— A mulher é fraca, o tabajara traidor, e o irmão de Jacaúna prudente.

Iracema suspirou e pousou a cabeça no peito do mancebo:

— Senhor de Iracema, cerra seus ouvidos, para que ela não ouça.

Martim repeliu docemente a gentil fronte:

— Fale o chefe pitiguara; só o escutam ouvidos amigos e fiéis.

— Tu ordenas, Poti fala. Antes que o Sol se levante na serra, o guerreiro do mar deve partir para as  margens do ninho das garças; a estrela morta o guiará às alvas praias. Nenhum tabajara o seguirá, porque a inúbia dos pitiguaras rugirá da banda da serra.

— Quantos guerreiros pitiguaras acompanham seu chefe valente?

— Nenhum; Poti veio só com suas armas. Quando os espíritos maus das florestas separaram o guerreiro do mar de seu irmão, Poti veio em seguimento do rastro. Seu coração não deixou que voltasse para chamar os guerreiros de sua taba; mas expediu seu cão fiel ao grande Jacaúna.

— O chefe pitiguara está só; não deve rugir a inúbia que chamará contra si todos os guerreiros tabajaras.

— É preciso para salvar o irmão branco; Poti zombará de Irapuã, como zombou quando combatiam cem contra ti.

A filha do pajé que ouvira calada, debruçou-se ao ouvido do cristão:

— Iracema quer te salvar e a teu irmão; ela tem seu pensamento. O chefe pitiguara é valente e audaz; Irapuã é manhoso e traiçoeiro como a acauã. Antes que chegues à floresta, cairás; e teu irmão da outra banda cairá contigo.

— Que fará a virgem tabajara para salvar o estrangeiro e seu irmão? perguntou Martim.

— Mais um sol e outro, e a lua das flores vai nascer. É o tempo da festa, em que os guerreiros tabajaras passam a noite no bosque sagrado, e recebem do pajé os sonhos alegres. Quando estiverem todos adormecidos, o guerreiro branco deixará os campos do Ipu, e os olhos de Iracema, mas não sua alma.

Martim estreitou a virgem ao seio; mas logo a repeliu. O toque de seu corpo, doce como a açucena da mata, e quente como o ninho do beija-flor, espinhou seu coração, porque lhe recordou as palavras terríveis do pajé.

A voz do cristão transmitiu a Poti o pensamento de Iracema; o chefe pitiguara, prudente como o tamanduá, pensou e respondeu:

— A sabedoria falou pela boca da virgem tabajara. Poti espera o nascimento da Lua.



Neste capítulo, os índios estão excitados por conta do efeito do cauim e das palavras de Irapuã. O que era o cauim?

24 comentários:

  1. Se trata de uma bebida muito comum entre os povos indígenas da América do Sul, especialmente da região amazônica.
    A bebida é feita de mandioca, mas há uma série de variações que permitem que até mesmo diversas frutas possam ser misturadas, mudando completamente o sabor da bebida, que normalmente é mais azeda.
    -LÍVIA RIBEIRO

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  2. É um tipo de bebida muito comum entre os povos indígenas do Brasil desde muito tempo, bebida preparada com a mandioca cozida e fermentada. (Débora)

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  3. É um tipo de bebida muito comum entre os povos indígenas do Brasil desde muito tempo, bebida preparada com a mandioca cozida e fermentada. (Débora)

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  4. Cauim é uma bebida alcoólica, preparada com mandioca cozida e fermentada.
    (Khabech)

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  5. Cauim é uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil.
    É feita através da fermentação da mandioca ou do milho, às vezes misturados com sucos de fruta. (Amanda)

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  6. Cauim é uma bebida alcoólica muito comum dos povos indígenas do Brasil. Até hoje essa bebida é feita em reservatórios indígenas na América do sul. Produzido pela fermentação da mandioca ou do milho, e às vezes misturado com sucos de fruta. (Lídia)

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  7. Oi pessoal!
    Martin era amigo de Poti. Martin, o homem branco, português. Poti era guerreiro pitiguara. Martin e Iracema eram namorados. E complicação desta relação? Iracema era a virgem de Tupã, detentora do segredo da jurema, ‘sacerdotisa’ tabajara. Os tabajaras eram inimigos dos pitiguaras. Martin ficava entre o amor de Iracema e a amizade de Poti.
    Bem é isso!
    Boa leitura a todos! Abraços!

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  8. Cauim era uma espécie de bebida preparada com mandioca cozida e fermentada. Originariamente era preparada pelos índios com caju e numerosas outras frutas, como também o milho e mandioca mastigados. O vaso que continha o Cauim chamava-se "Cauaba".

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  9. É uma bebida preparada pelos índios com caju, milho, mandioca e outros vegetais

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  10. Cauim é uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil, ela permitia a conexão com um plano superior e com antepassados, fazendo com que a pessoa tenha uma espécie de visão iluminada das coisas e do mundo(paulo)

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  11. Bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas da América do Sul. (MARIA)

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  12. Cauim e um tipo de bebida aparentemente alcolialca

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  13. Cauim e uma bebida alcoólica dos indioí brasileiros.
    Gustavo

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  14. Cauim é uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil desde tempos pré-colombianos. Ainda é feito hoje em reservas indígenas da América do Sul. O cauim é feito através da fermentação da mandioca ou do milho, às vezes misturados com sucos de fruta.

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  15. Cauim é uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas, é feito através da fermentação da mandioca ou do milho (pela saliva), às vezes misturados com sucos de fruta
    gabriela

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  16. Cauim é uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil desde tempos pré-colombianos. Preparada com mandioca cozida e fermentada [Primitivamente, os indígenas preparavam-na com caju, milho, mandioca e outros vegetais.]. (Heloisa-1ano)

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  17. Uma bebida que se prepara com mandioca cozida e fermentada.

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  18. Cauim é uma bebida alcoólica tradicional dos povos indígenas do Brasil desde tempos pré-colombianos.O cauim é feito através da fermentação da mandioca ou do milho, às vezes misturados com sucos de fruta.

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  19. bebida que se prepara com mandioca cozida e fermentada [Primitivamente, os indígenas preparavam-na com caju, milho, mandioca e outros vegetais.]

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  20. Cauim era um tipo de bebida fermentada

    - Matheus Ferreira Vazquez

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  21. Uma bebida indigena que pode ser considerada uma bebida alcoólica,que altera alguns sentidos e deixa ls índios excitados

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  22. Leonardo (via whats app)
    Uma bebida indigena que pode ser considerada uma bebida alcoólica,que altera alguns sentidos e deixa ls índios excitados

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