segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Argumento histórico




Em 1603, Pero Coelho, homem nobre da Paraíba, partiu como capitão-mor de descoberta, levando uma força de 80 colonos e 800 índios. Chegou à foz do Jaguaribe e aí fundou o povoado que teve o nome de Nova Lisboa.

Foi esse o primeiro estabelecimento colonial do Ceará.

Como Pero Coelho se visse abandonado dos sócios, mandaram-lhe João Soromenho com socorros. Esse oficial, autorizado a fazer cativos para indenização das despesas, não respeitou os próprios índios do Jaguaribe, amigos dos portugueses.

Tal foi a causa da ruína do nascente povoado. Retiraram-se os colonos, pelas hostilidades dos indígenas; e Pero Coelho ficou ao desamparo, obrigado a voltar à Paraíba por terra, com sua mulher e filhos pequenos.

Na primeira expedição foi do Rio Grande do Norte um moço de nome Martim Soares Moreno, que se ligou de amizade com Jacaúna, chefe dos índios do litoral, e seu irmão Poti. Em 1608 por ordem de D. Diogo Meneses voltou a dar princípio à regular colonização daquela capitania: o que levou a efeito fundando o presídio de Nossa Senhora do Amparo em 1611.

Jacaúna, que habitava as margens do Acaracu, veio estabelecer-se com sua tribo nas proximidades do recente povoado, para o proteger contra os índios do interior e os franceses que infestavam a costa.

Poti recebeu no batismo o nome de Antônio Felipe Camarão, que ilustrou na guerra holandesa. Seus serviços foram remunerados com o foro de fidalgo, a comenda de Cristo e o cargo de capitão-mor dos índios.

Martim Soares Moreno chegou a mestre-de-campo e foi um dos excelentes cabos portugueses que libertaram o Brasil da invasão holandesa. O Ceará deve honrar sua memória como a de um varão prestante e seu verdadeiro fundador, pois que o primeiro povoado à foz do rio Jaguaribe foi apenas uma tentativa frustrada.

Este é o argumento histórico da lenda; em notas especiais se indicarão alguns outros subsídios recebidos dos cronistas do tempo.

Há uma questão histórica relativa a este assunto; falo da pátria do Camarão, que um escritor pernambucano quis pôr em dúvida, tirando a glória ao Ceará para a dar à sua província.

Este ponto, aliás somente contestado nos tempos modernos pelo Sr. comendador Melo em suas Biografias, me parece suficientemente elucidado já, depois da erudita carta do Sr. Basílio Quaresma Torreão, publicada no Mercantil nº 26 de 26 de janeiro de 1860, 2ª página.

Entretanto farei sempre uma observação.

Em primeiro lugar, a tradição oral é uma fonte importante da História, e às vezes a mais pura e verdadeira. Ora, na província de Ceará, em Sobral, não só referiam-se entre gente do povo notícias do Camarão, como existia uma velha mulher que se dizia dele sobrinha. Essa tradição foi colhida por diversos escritores, entre eles o conspícuo autor da Corografia Brasílica.

O autor do Valeroso Lucideno é dos antigos o único que positivamente afirma ser Camarão filho de Pernambuco; mas além de encontrar essa asserção a versão de outros escritores de nota, acresce que Berredo explica perfeitamente o dito daquele escritor, quando fala da expedição de Pero Coelho de Souza a Jaguaribe, sítio naquele tempo e também no de hoje da jurisdição de Pernambuco.

Outro ponto é necessário esclarecer para que não me censurem de infiel à verdade histórica. É a nação de Jacaúna e Camarão que alguns pretendem ter sido a tabajara.

Há nisso manifesto engano.

Em todas as crônicas se fala das tribos de Jacaúna e Camarão como habitantes do litoral, e tanto que auxiliam a fundação do Ceará, como já haviam auxiliado a da Nova Lisboa em Jaguaribe. Ora, a nação que habitava o litoral entre o Parnaíba e o Jaguaribe ou Rio-Grande era a dos pitiguaras, como atesta Gabriel Soares. Os tabajaras habitavam a serra de Ibiapaba, e portanto o interior.

Como chefes dos tabajaras são mencionados Mel Redondo no Ceará e Grão Diabo em Piauí. Esses chefes foram sempre inimigos irreconciliáveis e rancorosos dos portugueses, e aliados dos franceses do Maranhão que penetraram até Ibiapaba. Jacaúna e Camarão são conhecidos por sua aliança firme com os portugueses.

Mas o que solve a questão é o seguinte texto. Lê-se nas Memórias diárias da guerra brasílica do conde de Pernambuco: — 1634, janeiro, 18: “Pelo bom procedimento com que havia servido A. F. Camarão o fez El-rei capitão-mor de todos os índios não somente de sua nação, que era Pitiguar, nas das outras residentes em várias aldeias.”

Esta autoridade, além de contemporânea, testemunhal, não pode ser recusada, especialmente quando se exprime tão positiva e intencionalmente a respeito do ponto duvidoso.


 A primeira atividade do blog, quando você leu o Prólogo, era para você contar a sua expectativa com relação à obra. Agora, você deverá revisitar essa postagem: sua expectativa se confirmou ou não? Agora, após conhecer o argumento histórico de Iracema, como você avalia o livro?

16 comentários:

  1. Bom minha expectativa se confirmou, após ler os capítulos vi altos e baixos na história o que me chamou a atenção então ei avalio o livro como um bom livro para quem hgost desse gênero.
    Gustavo

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  2. Eu gostei do livro achei interessante primeiro pelos altos e baixos que se tem na história
    Gustavo

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  3. Não foi confimada minha expectativa, agora vejo que o livro se trata de um amor trágico, na perda do amado e a morte da protagonista, totalmente inverso ao que pensei ser uma aventura...

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  4. Não se confirmou, pois a minha expectativa era de dois homens lutavam para conquistá-la, mais na verdade ela conhece Martin, se apaixona por ele. É um livro interessante pois ele possui muitas partes legais, que não deixa ficá-lo intediante,ele é um poema em prosa.(Paulo)

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  5. Minha expectativa se confirmou em algumas partes, como o local onde acorre a historia e quem são os personagens.
    Este livro é bem interessante, conta como se deu a origem do Estado do Ceará, é claro que essa não é a historia considera real, é apenas uma lenda, porém Alencar se aprofunda bastante na historia, ela, rica em detalhes, nos aproxima bastante dos personagens, o que trás uma falsa sensação de realidade, como se estivéssemos ali, presenciando. A história faz referência à submissão do indígena ao colonizador português, Iracema deixa tudo por Martin, e no final morre pela falta do mesmo, também Poti, no final é batizado e é imposta a ele uma nova cultura e maneira de vida, o mais interessante deste livro é que podemos ver como Martin se torna amigo dos índios, e como os mesmos são hospitaleiros com o desconhecido, isso provavelmente foi bastante utilizado pelos portugueses ao tentarem colonizar o Brasil. Lendo este livro, conhecemos mais profundamente um pouco do Ceará, e do nosso Brasil, afinal fatos como este aconteceram em diversos locais do país.

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  6. O livro alcançou muito minhas expectativas, em certas partes deu pra entender claramente o conteúdo abordado e esse livro é excelente, recomendaria para alguma pessoa. (mariana)

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  7. mesmo eu não tendo feito o prólogo, eu lendo-o achei que seria igual aos outros livros, uma historia de um historiador como Pedro Alvares Cabral ao "descobrir o Brasil", mas depois que eu li, percebi que não se tratava de uma carta ou algo do tipo. percebi que foi criado uma historia em que o narrador não era em 1º pessoa, mas sim o português sendo um dos personagens, e a historia não é ruim, possui uma boa pitada de romance e conflito. eu gostei bastante de ler esse livro.
    - Matheus Ferreira Vazquez

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  8. Na minha opinião a minha expectativa confirmou um pouco da história que iria se desenvolver ao longo dos capítulos. O livro de Iracema é considerado por muitos “um poema em prosa” e narra a história de uma índia tabajara que se apaixona por um colonizador europeu.José de Alencar faz uma alegoria do processo de colonização do Brasil e de toda a América. O livro traz também como assunto a história da fundação do estado do Ceará.Retornando mais tarde ao Brasil, Martim chega agora com outros brancos e um sacerdote “para plantar a cruz na terra selvagem”, o que mostra o processo de colonização, e encerra a história dizendo que “Tudo passa sobre a terra”.

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  9. Em minha humilde opinião a minha expectativa confirmou um pouco da história que iria se desenvolver ao longo dos capítulos. O livro de Iracema é considerado por muitos “um poema em prosa” e narra a história de uma índia tabajara que se apaixona por um colonizador europeu.José de Alencar faz uma alegoria do processo de colonização do Brasil e de toda a América. O livro traz também como assunto a história da fundação do estado do Ceará.Retornando mais tarde ao Brasil, Martim chega agora com outros brancos e um sacerdote “para plantar a cruz na terra selvagem”, o que mostra o processo de colonização, e encerra a história dizendo que “Tudo passa sobre a terra”.

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  10. De certa maneira minha expectativa coincidiu, não totalmente mas um pouco do que se trata no livro. Avalio como uma obra que contém varias alegorias, como comparação da mulher em relação a beleza exuberante da natureza brasileira, ou até mesmo na junção de uma indígena e um europeu, rica em aspectos da literatura brasileira na qual o autor participava da época. Senti que trouxe uma mensagem muito forte, creio que para estudantes como nós, ele contém muitas informações necessárias para o nosso conhecimento e preparação para vestibulares e Enem, afinal, é um livro muito importante e cobrado. Sobre a história, achei muito triste, esperava por outro final, me decepcionei um pouco, depois de tudo que a protagonista passou esperava que seria diferente, porém nem tudo acontece como esperamos, ao terminar a leitura, compreendo a forma na qual o autor escreveu, juntamente com a escola literária na qual ele estava contido, o Romantismo.
    (Débora)

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  11. De certa maneira minha expectativa coincidiu, não totalmente mas um pouco do que se trata no livro. Avalio como uma obra que contém varias alegorias, como comparação da mulher em relação a beleza exuberante da natureza brasileira, ou até mesmo na junção de uma indígena e um europeu, rica em aspectos da literatura brasileira na qual o autor participava da época. Senti que trouxe uma mensagem muito forte, creio que para estudantes como nós, ele contém muitas informações necessárias para o nosso conhecimento e preparação para vestibulares e Enem, afinal, é um livro muito importante e cobrado. Sobre a história, achei muito triste, esperava por outro final, me decepcionei um pouco, depois de tudo que a protagonista passou esperava que seria diferente, porém nem tudo acontece como esperamos, ao terminar a leitura, compreendo a forma na qual o autor escreveu, juntamente com a escola literária na qual ele estava contido, o Romantismo.
    (Débora)

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  12. Minha expectativa não foi a esperada, não pelo fato de o livro ser ruim e sim pelo seu estilo

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  13. Na leitura do prólogo, eu disse que tinha uma grande expectativa com o livro, pois eu tinha em mente que ele mexeria com nossas emoções, e nos entreteria, fazer com que entremos na história junto com os personagens. E de fato foi isso que senti durante toda a leitura, a história da Índia, é uma história com muitas emoções, com muitos altos e baixos, ora ela passa por grandes felicidades, como por exemplo quando encontra com seu amado, e quando sofre de tanta tristeza por seu amado ter partido para a Guerra.(Lídia)

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  14. De início não tinha expectativa nenhuma sendo iracema apenas mais um livro, mas com o passar da atividade pude ver que é um pouco mais interessante que imaginei e que os outros livros desse ano valendo o tempo que li os capítulos. Hoje avalio o livro sendo muito bom para o seu conceito sendo interessante para quem se interessa na cultura indígena e na colonização. (Heloisa-1ano)

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  15. Eu nan fiz a atividade do prologo mas concluo que o livro preencheu minhas expectativas foi um bom livro com um bom enredo recomendaria para as pessoas pois é um ótimo livro
    (Reginaldo)

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  16. Não se confirmou totalmente pois eu achava que contaria a história de uma família,mas se confirmou na parte do espaço/cenário da história.Classifico como um bom livro;me surpreendi com o livro pois a linguagem não é tão difícil e a história não é cansativa.

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