O galo-da-campina ergue a poupa escarlate fora do ninho.
Seu límpido trinado anuncia a aproximação do dia.
Ainda a sombra cobre a terra. Já o povo selvagem colhe as
redes na grande taba e caminha para o banho. O velho pajé que velou toda a
noite, falando às estrelas, conjurando os maus espíritos das trevas, entra
furtivamente na cabana.
Eis retroa o boré pela amplidão do vale.
Travam das armas os rápidos guerreiros, e correm ao campo.
Quando foram todos na vasta ocara circular, Irapuã, o chefe, soltou o grito de
guerra:
— Tupã deu à grande nação tabajara toda esta terra. Nós
guardamos as serras, donde manam os córregos, com os frescos ipus onde cresce a
maniva e o algodão; e abandonamos ao bárbaro potiguara, comedor de camarão, as
areias nuas do mar, com os secos tabuleiros sem água e sem florestas. Agora os
pescadores da praia, sempre vencidos, deixam vir pelo mar a raça branca dos
guerreiros de fogo, inimigos de Tupã. Já os emboabas estiveram no Jaguaribe;
logo estarão em nossos campos; e com eles os potiguaras. Faremos nós, senhores
das aldeias, como a pomba, que se encolhe em seu ninho, quando a serpente enrosca
pelos galhos?
O irado chefe brande o tacape e o arremessa no meio do
campo. Derrubando a fronte, cobre o rúbido olhar:
— Irapuã falou; disse.
O mais moço dos guerreiros avança:
— O gavião paira nos ares. Quando a nambu levanta, ele cai
das nuvens e rasga as entranhas da vítima. O guerreiro tabajara, filho da
serra, é como o gavião.
Troa e retroa a pocema da guerra.
O jovem guerreiro erguera o tacape; e por sua vez o brandiu.
Girando no ar, rápida e ameaçadora, a arma do chefe passou de mão em mão.
O velho Andira, irmão do pajé, a deixou tombar, e calcou no
chão, com o pé ágil ainda e firme.
Pasma o povo tabajara da ação desusada. Voto de paz em tão
provado e impetuoso guerreiro! É o velho herói, que cresceu na sanha, crescendo
nos anos, é o feroz Andira quem derrubou o tacape, núncio da próxima luta?
Incertos e mudos todos escutam:
— Andira, o velho Andira, bebeu mais sangue na guerra do que
já beberam cauim nas festas de Tupã, todos quantos guerreiros alumia agora a
luz de seus olhos. Ele viu mais combates em sua vida, do que luas lhe despiram
a fronte. Quanto crânio de potiguara escalpelou sua mão implacável, antes que o
tempo lhe arrancasse o primeiro cabelo? E o velho Andira nunca temeu que o
inimigo pisasse a terra de seus pais; mas alegrava-se quando ele vinha, e
sentia com o faro da guerra a juventude renascer no corpo decrépito, como a
árvore seca renasce com o sopro do inverno. A nação tabajara é prudente. Ela deve
encostar o tacape da luta para tanger o membi da festa. Celebra, Irapuã, a
vinda dos emboabas e deixa que cheguem todos aos nossos campos. Então Andira te
promete o banquete da vitória.
Desabriu enfim Irapuã a funda cólera:
— Fica tu, escondido entre as igaçabas de vinho, fica, velho
morcego, porque temes a luz do dia, e só bebes o sangue da vítima que dorme.
Irapuã leva a guerra no punho de seu tacape. O terror que ele inspira voa com o
rouco som do boré. O potiguara já tremeu ouvindo-o rugir na serra, mais forte
que o ribombo do mar.
Aparece mais um importante personagem na trama de Iracema. Que personagem é esse? Qual o significado de seu nome?
Pessoal,
ResponderExcluirOlá! Parabéns para aqueles que estão participando. Tem sindo muito bom ler os comentários de vocês e ver que vocês têm conseguido compreender o sentido do romance.
Vamos lá comentar as respostas de ontem:
a. Sobre a característica do índio nativo presente na passagem é a hospitalidade. Vejam bem: ela vê o Martin, atira nele a flecha machuca o homem branco; e, mesmo sem conhecer quem é esse homem ela o leva para a cabana de seu pai, o pajé (o sacerdote da tribo) Araquém.
b. a Jurema é uma árvore que produz um fruto muito amargo. Da mistura do fruto, com as folhas e outros ingredientes, os índios faziam um licor que tinha poderes alucinógenos (parecidos com o haxixe). Quem tomava esse licor/suco, tinha sonhos tão intensos e agradáveis que pareciam com a realidade. Quem fazia esse preparo era uma virgem (uma vestal ou sacerdotisa) consagrada a Tupã. Jurema vem de Ju - espinho e rema - cheiro desagradável
Irapuã.O nome Irapuã é de origem Indígena e significa colméia.
ResponderExcluirGustavo
Irapuã, cujo nome significa "colmeia".
ResponderExcluir(Maria)
andira, que significa morcego
ResponderExcluirGabriela
andira, que significa morcego
ResponderExcluirGabriela
Personagem novo: Andira, que significa morcego, no último parágrafo do capítulo Irapuã também o chama assim "velho morcego".
ResponderExcluirO novo personagem que aparece chama-se “Andira”, que é um nome de origem Tupi-Guarani, usado para caracterizar uma espécie de morcego que habita as florestas Brasileiras. E isso está visível no início do último parágrafo (Lídia)
ResponderExcluirArandira, que significa grande morcego ou vampiro brasileiro. Nome de origem Tupi-Guarani utilizado para caracterizar uma espécie de grande morcego que habita as florestas brasileiras. (Débora)
ResponderExcluirArandira, que significa grande morcego ou vampiro brasileiro. Nome de origem Tupi-Guarani utilizado para caracterizar uma espécie de grande morcego que habita as florestas brasileiras. (Débora)
ResponderExcluirO personagem é Irapuã, o significado do nome dele é de origem indígena e significa colmeia.
ResponderExcluirO novo personagem da trama é Irapuã chefe dos guerreiros Tabajaras; apaixonado por Iracema. O nome "Irapuã" é proveniente do termo tupi eirapu'a, que designa as abelhas meliponídeas,[1] que são as abelhas tropicais sem ferrão, nativas do Brasil
ResponderExcluirIrapuã.
ResponderExcluirColméia.
Irapuã.
ResponderExcluirColméia.
Arapuã que designa das abelhas meliponideas que são as abelhas sem ferrão predominante no Brasil
ResponderExcluiro nome do novo personagem é Andirá que, significa, morcego
ResponderExcluirO personagem que aparece neste capítulo é Andira, irmão do pajé. Seu nome é de origem Tupi-Guarani, utilizado para a classificação de um morcego das florestas brasileiras, também conhecido por guandirá, jandirá ou mopi.(Amanda)
ResponderExcluirO Personagem se chama "Andira" ele é um guerreiro, irmão de "Araquém",o significado de seu nome é de origem Tupi-Guarani, utilizado para classificar a espécie de um grande morcego que habita as florestas brasileiras, também conhecido por guandirá, jandirá ou mopi. -Lívia Ribeiro
ResponderExcluirItapuã,
ResponderExcluirItapuã, que significa pesca(Paulo)
ResponderExcluirO persoagem importante que aparece na trama é Irapuã chefe da tribo tabajaras, e seu nome é de origem Indígena tendo como significado colméia.(Heloisa-1ano)
ResponderExcluirO irmão do pajé, Andira. Seu nome significa Morcego.
ResponderExcluirO personagem que é importante para a trama pelo meu entendimento é Irapuã: chefe dos tabajaras e inimigo de Martim. O significado de seu nome é "Colméia".
ResponderExcluirO personagem é Andira que significa morcego.
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