terça-feira, 30 de outubro de 2018

Capítulo VII




Iracema passou entre as árvores, silenciosa como uma sombra: seu olhar cintilante coava entre as folhas, qual frouxos raios de estrelas; ela escutava o silêncio profundo da noite e aspirava as auras sutis que aflavam.

Parou. Uma sombra resvalava entre as ramas; e nas folhas crepitava um passo ligeiro, se não era o roer de algum inseto. A pouco e pouco o tênue rumor foi crescendo e a sombra avultou.

Era um guerreiro. De um salto a virgem estava em face dele, trêmula de susto e mais de cólera.

— Iracema! exclamou o guerreiro recuando.

— Anhangá turbou sem dúvida o sono de Irapuã, que o trouxe perdido ao bosque da jurema, onde nenhum guerreiro penetra sem a vontade de Araquém.

— Não foi Anhangá, mas a lembrança de Iracema, que turbou o sono do primeiro guerreiro tabajara. Irapuã desceu de seu ninho de águia para seguir na várzea a garça do rio. Chegou, e Iracema fugiu de seus olhos. As vozes da taba contaram ao ouvido do chefe que um estrangeiro era vindo à cabana de Araquém.

A virgem estremeceu. O guerreiro cravou nela o olhar abrasado:

— O coração aqui no peito de Irapuã ficou tigre. Pulou de raiva. Veio farejando a presa. O estrangeiro está no bosque, e Iracema o acompanhava. Quero beber-lhe o sangue todo: quando o sangue do guerreiro branco correr nas veias do chefe tabajara, talvez o ame a filha de Araquém.

A pupila negra da virgem cintilou na treva, e de seu lábio borbulhou, como gotas do leite cáustico da eufórbia, um sorriso de desprezo:

— Nunca Iracema daria seu seio, que o espírito de Tupã habita só, ao guerreiro mais vil dos guerreiros tabajaras! Torpe é o morcego porque foge da luz e bebe o sangue da vítima adormecida!...

— Filha de Araquém, não assanha o jaguar! O nome de Irapuã voa mais longe que o goaná do lago, quando sente a chuva além das serras. Que o guerreiro branco venha, e o seio de Iracema se abra para o vencedor.

— O guerreiro branco é hóspede de Araquém. A paz o trouxe aos campos do Ipu, a paz o guarda. Quem ofender o estrangeiro, ofende o pajé. Rugiu de sanha o chefe tabajara:

— A raiva de Irapuã só ouve agora o grito da vingança. O estrangeiro vai morrer.

— A filha de Araquém é mais forte que o chefe dos guerreiros, disse Iracema travando da inúbia. Ela tem aqui a voz de Tupã, que chama seu povo.

— Mas ela não chamará! respondeu o chefe escarnecendo.

— Não, porque Irapuã vai ser punido pela mão de Iracema. Seu primeiro passo, é o passo da morte.

A virgem retraiu d’um salto o avanço que tomara, e vibrou o arco. O chefe cerrou ainda o punho do formidável tacape; mas pela vez primeira sentiu que pesava ao braço robusto. O golpe que devia ferir Iracema, ainda não alçado, já lhe trespassava, a ele próprio, o coração.

Conheceu quanto o varão forte, é pela sua mesma fortaleza, mais vencido das grandes paixões.

— A sombra de Iracema não esconderá sempre o estrangeiro à vingança de Irapuã. Vil é o guerreiro, que se deixa proteger por uma mulher.

Dizendo estas palavras, o chefe desapareceu entre as árvores. A virgem sempre alerta, volveu para o cristão adormecido; e velou o resto da noite a seu lado. As emoções recentes, que agitaram sua alma, a abriram ainda mais à doce afeição, que iam filtrando nela os olhos do estrangeiro.

Desejava abrigá-lo contra todo o perigo, recolhê-lo em si como em um asilo impenetrável. Acompanhando o pensamento, seus braços cingiam a cabeça do guerreiro, e a apertavam ao seio.

Mas quando passou a alegria de o ver salvo dos perigos da noite, entrou-a mais viva a inquietação, com a lembrança dos novos perigos que iam surgir.

— O amor de Iracema é como o vento dos areais; mata a flor das árvores, suspirou a virgem.

E afastou-se lentamente.


Qual foi a reação de Irapuã ao saber que Iracema levou Martin para o campo sagrado? Como é percebido isso no capítulo? Diante da reação de Irapuã, o que Iracema faz?

20 comentários:

  1. Turma,
    O capítulo VI é importante dentro da narrativa por conta das ações de Iracema.
    A índia pergunta para Martin o motivo dele estar triste. Depois dessa conversa, Iracema resolve levar o homem branco para o bosque da jurema. E oferece a ele a bebida.
    Iracema, com isso, transgride, viola as regras dos povos indígenas. Quem poderia entrar no bosque sagrado era só a virgem de Tupã, que no caso é Iracema. Como se não bastasse violar essa regra, ela oferece para Martin, o licor da jurema, a bebida sagrada. Essa bebida era usada pelos índios apenas em rituais religiosos.
    Percebam que Iracema é uma ‘sacerdotisa’ que não respeita as regras por conta do sentimento que tem por Martin.
    E vocês devem compreender que essa bebida da jurema é uma alucinógeno muito poderoso. Quem bebe, tem alucinações muito reais. A pessoa fica ‘doidona’ mesmo. Os sonhos são tão fortes que parecem realidade.
    Então, a gente não pode afirmar se Martin teve ou não uma noite de amor com a índia; se beijou ou não a Índia... pois, sob o efeito da jurema, poderia ser realidade como também poderia ser sonho.
    Bem, é isso!

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    1. Irapuã ficou muito brava,pelo desrespeito a religião ou ciúmes, não entendi, e Iracema defende o guerreiro.

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    2. Irapuã ficou muito brava,pelo desrespeito a religião ou ciúmes, não entendi, e Iracema defende o guerreiro.

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  2. A reação de Irapuã foi de raiva como é visível na frase em que diz “a raiva de Irapuã só ouve agora o grito da vingança. O estrangeiro vai morrer”. A filha de Araquém diz que Iracema tem a voz de Tupã, que chama seu povo, e o chefe responde que ela não chamará, pois diante da atitude de Irapuã, Iracema irá punilo pelas suas próprias mãos, e que o primeiro passa, é o passo da morte. (Lídia)

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  3. A reação de Irapuã foi surpreendente, a raiva o dominou, visível no momento: “A raiva de Irapuã só ouve agora o grito da vingança. O estrangeiro vai morrer.” Iracema voltada para o ódio, toma a decisão de puní-lo e como primeiro passo a morte, como refere-se no parágrafo: “Iracema irá puní-lo pelas próprias mãos, e que o primeiro passo, é o passo da morte.” (Débora)

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  4. Foi de raiva pois ela não queria um desconhecido ali Quem ofender o estrangeiro, ofende o pajé.
    Gustavo

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  5. Ele fica muito nervoso, "quero beber lhe o sangue todo". Iracema discute com Irapuã e o ameaça para ele não machucar Martim, depois disso a índia volta para o bosque.

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  6. A reação de Irapuã foi de raiva, queria matar Martin, "O coração aqui no peito de Irapuã ficou tigre. Pulou de raiva. Veio farejando a presa. O estrangeiro está no bosque, e Iracema o acompanhava. Quero beber-lhe o sangue todo". Porém Iracema o defendeu, dizendo que era mais forte que Irapuã, o chefe dos guerreiros, assim ele desistiu momentaneamente de mata-lo, pois quem o defendia era Iracema.

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  7. Ao saber que Iracema levou martin para o campo sagrado Irapuã pulou de raiva, ficou tigre. É possível perceber pois fala que quando Irapuã saiu de seu ninho Iracema fugiu de seus olhos. apos a reação de Irapuã ela fala que tem a voz de de Tupã, ela chama seu povo,mais Irapuã diz que ela não chamaria,com isso iracema fala que não ia chamar msm que seu primeiro passo é o passo da morte
    e quem o puniria seria ela.(Paulo)

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  8. A reação foi que ele ficou muito bravo e da para perceber isso nesse trecho: “O coração aqui no peito de Irapuã ficou tigre. Pulou de raiva. Veio farejando a presa.” E também ele queria o matar. Iracema enfrenta Irapuã para defender o guerreiro e faz o possível para tirá-lo do perigo.

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  9. Enquanto Iracema começava a retornar para a taba, subitamente surge Irapuã. Iracema trêmula de susto e com cólera, pergunta o motivo que o levou ao bosque da jurema, uma vez que só podem entrar lá pessoas com a autorização de Araquém. Irapuã, diz que foi à sua procura, pois na taba haviam dito que o estrangeiro teria ido à cabana de Araquém. Iracema argumenta que o estrangeiro é hóspede de Araquém e Irapuã tomado de cólera, e cheio de ciúmes, afirma que o estrangeiro vai morrer, para assim quem sabe Iracema o amar. “A sombra de Iracema não esconderá para sempre o estrangeiro...” e dizendo essas palavras desapareceu entre as árvores.

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  10. O guerreiro Tabaraja (Irapuã) seguiu Iracema ao saber que a havia um estrangeiro(Martin)na cabana o qual estava sendo acompanhado por Iracema, sua reação foi de raiva, percebemos isso nas passagens : "O coração aqui no peito de Irapuã ficou tigre. Pulou de raiva. " e "A raiva de Irapuã só ouve agora o grito da vingança.O estrangeiro vai morrer", a reação de Iracema foi afrontosa diante de Irapuã ela disse : "A filha de Araquém é mais forte que o chefe dos guerreiros" depois disso Irapuã tenta ferir Iracema porém atinge Martin.
    -Lívia Ribeiro

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  11. Ele ficou com raiva/ciúme,Iracema protege o estrangeiro ,e Irapuã diz que o que ela fez é contra as regras da tribo

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  12. Irapuã ficou bravo, pelo desrespeito a religião, e Iracema defende o guerreiro pois sente algo por ele

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  13. Irapuã ficou com raiva e queria matar martin "Quero beber-lhe o sangue todo: quando o sangue do guerreiro branco correr nas veias do chefe tabajara, talvez o ame a filha de Araquém."
    iracema tenta contornar a historia, tentando convence-lo, de fato, ela obteve exito "O chefe cerrou ainda o punho do formidável tacape; mas pela vez primeira sentiu que pesava ao braço robusto. O golpe que devia ferir Iracema, ainda não alçado, já lhe trespassava, a ele próprio, o coração"
    Gabriela

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  14. Irapuã ficou com raiva,isso é percebido visivelmente na fala: "O coração aqui no peito de Irapuã ficou tigre. Pulou de raiva. Veio farejando a presa. O estrangeiro está no bosque, e Iracema o acompanhava. Quero beber-lhe o sangue todo: quando o sangue do guerreiro branco correr nas veias do chefe tabajara, talvez o ame a filha de Araquém."
    Iracema deu um sorriso de desprezo.

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  15. A reação de irapuã é de mais pura raiva, isso é percebido quando o guerreiro "pula de raiva" querendo o sangue do estrangeiro. Iracema confronta irapuã falando que a filha de aráquem é mais forte que o chefe dos guerreiros não deixando que nada aconteça a Martin, velando seu sono o resto da noite. (Heloisa-1ano)

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  16. Sua reação foi de raiva. “Quero beber-lhe o sangue todo: quando o sangue do guerreiro branco correr nas veias do chefe tabajara, talvez o ame a filha de Araquém”.
    “-Nunca Iracema daria seu seio, que o espírito de Tupã habita só, ao guerreiro mais vil dos guerreiros tabajaras! Torpe é o morcego porque foge da luz e bebe o sangue da vítima adormecida!”

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  17. Irapuã ficou revoltado e com um sentimento de vingança quando descobriu que Iracema levou o guerreiro para o campo sagrado. "O coração aqui no peito de Irapuã ficou tigre. Pulou de raiva. Veio farejando a presa".
    Iracema ameaçou de chamar a filha de Araquém (era a guerreira mais forte e tinha a voz de Tupã) e puniu Irapuã com suas próprias mãos. "...Seu primeiro passo, é o passo da morte". "A virgem retraiu d'um salto o avanço que tomara, e vibrou o arco". ( Amanda)

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  18. Este comentário foi removido pelo autor.

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